CIMENTO PORTLAND / Solo-cimento
O emprego de solo-cimento na construção de habitações no Brasil, teve início em 1948, com a construção das casas do Vale Florido, na Fazenda Ingleza, em Petrópolis (RJ). A qualidade do produto e da técnica construtiva é atestado principalmente pelo bom estado de conservação em que estas casas se encontram.
A partir daí o uso do solo-cimento foi consideravelmente ampliado, devido às vantagens técnicas e econômicas que o material oferece. O solo cimento é o material resultante da mistura homogênea, compactada e curada de solo, cimento e água em proporções adequadas.
O produto resultante deste processo é um material com boa resistência à compressão, bom índice de impermeabilidade, baixo índice de retração volumétrica e boa durabilidade.
O solo é o componente mais utilizado para a obtenção do solo-cimento. O cimento entra em uma quantidade que varia de 5 a 10% do peso do solo, o suficiente para estabilizar o solo e conferir as propriedades de resistência desejadas para o composto.
Praticamente qualquer tipo de solo pode ser utilizado, entretanto os solos mais apropriados são os que possuem teor de areia entre 45% e 50%. Somente os solos que contêm matéria orgânica em sua composição (solo de cor preta) não podem ser utilizados. O solo a ser utilizado na mistura pode ser extraído do próprio local da obra.
O solo-cimento pode ser utilizado segundo dois processos construtivos: o de paredes monolíticas e o da produção de tijolos ou blocos prensados. A escolha da técnica a ser utilizada depende das características de cada obra em particular.
A sua principal aplicação é na construção de paredes, mas pode ainda ser utilizado na construção de fundações, passeios e contrapisos. Os blocos de solo-cimento permitem ainda o seu uso na construção de coberturas abobadadas e lajes mistas.
Os blocos de solo-cimento são produzidos utilizando-se prensa manual ou hidráulica. A mistura fresca de solo-cimento é colocada dentro de moldes e prensada. Depois de retirado da prensa, o bloco é estocado em local coberto, onde é molhado periodicamente durante uma semana para ser curado adequadamente.
O tijolo de solo cimento possui alta resistência à compressão simples e baixa absorção.
O tipo de fundação a ser utilizada é definida em função do terreno onde a obra será implantada e de características específicas da obra. Não há restrições a nenhum tipo de fundação em específico.
A parede de solo cimento pode ser monolítica ou em blocos prensados.
As paredes monolíticas são construídas usando-se guias. As guias são peças de madeira ou aço (recuperáveis) ou concreto (irrecuperável), onde uma de suas dimensões deve ser da espessura desejada para a parede, geralmente 12 cm. As guias são então dispostas, respeitando alinhamento e prumo, sobre o contrapiso pronto, para que as formas possam ser montadas logo a seguir em função dessas. As formas são normalmente de madeira presas com parafusos apropriados.
Após montadas as formas coloca-se o solo-cimento. A cada camada de 20cm deve-se compactar a mistura com soquetes de madeira e logo depois retirar as formas que serão novamente utilizadas, só que agora montadas sobre a parte já construída da alvenaria. Após a execução de toda a alvenaria, é necessário que se siga um procedimento de cura do solo-cimento, que corresponde em molhar a parede, três vezes ao dia, durante uma semana, para evitar trincas.
As paredes monolíticas de solo cimento possuem boa aparência e acabamento, dispensando a aplicação de emboço, reboco ou chapisco.
As paredes executadas em blocos de solo-cimento prensados seguem a mesma técnica construtiva dos blocos convencionais e possuem as mesmas características de resistência à compressão simples e à absorção, dos blocos.
Devido à boa qualidade de acabamento das paredes monolíticas de solo-cimento usa-se apenas pintá-las com uma tinta à base de cimento para aumentar sua impermeabilidade e aumentar suas condições de conforto e higiene.
As paredes de blocos prensados não necessitam, necessariamente, de serem rebocadas, podendo ser pintadas com tinta à base de cimento.
INSTALAÇÕES HIDRO-SANITÁRIAS E ELÉTRICAS
Nas paredes monolíticas toda a instalação é feita no solo-cimento recém compactado, cortando-se a alvenaria. Na alvenaria de blocos prensados, corta-se a alvenaria pronta, como no sistema tradicional. Pode ainda ser feita com a tubulação aparente.
O tipo de cobertura mais utilizado é em estrutura de madeira com recobrimento em telhas onduladas de fibrocimento ou cerâmicas. Podendo ainda ser executada em laje mista ou abóbada, com blocos de solo-cimento prensados.
Não há restrições ao tipo de esquadria a ser utilizada, podendo ser metálicas ou de madeira em qualquer modelo. Todo o processo de assentamento segue os mesmos princípios da construção tradicional, onde as esquadrias são assentadas após o levantamento das paredes.
O solo-cimento https://sites.arq.ufmg.br/caau/arqcomp/enta como vantagens a economia, conseguida na obtenção do solo, na sua fabricação e facilidade do processo construtivo; qualidade, no que diz respeito ao conforto térmico e acústico das habitações; boa resistência a compressão; bom índice de impermeabilidade e bom acabamento externo final.
O solo, material mais utilizado na sua fabricação, é de fácil obtenção e baixo custo, podendo ser extraído do próprio local da obra. Seu preparo e processamento junto com o cimento, assim como todo o processo de fabricação do bloco e execução dos dois tipos de alvenaria, são de fácil assimilação.
O sistema construtivo não exige uma mão de obra qualificada, o que reduz o custo total, podendo ser realizada por regime de mutirão. No entanto, é importante que um técnico acompanhe a obra, pelo menos na fase inicial do processo.
A redução dos custos na construção de habitações populares, com o uso de solo-cimento pode atingir até 40%.
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